Menu:


Ao Vivo

Links Úteis

Nossa Audiência


Estatísticas:

Total de visitas: 298561
Visitas hoje: 2


Explica sobre a difícil missão de fotografar em um enterro

Missão dificil para um fotografo


RádioÉ sempre triste ir para um enterro. Indiferente se você conhece ou não a pessoa. Pior ainda é ter que fotografar ele.

Registrar e publicar a dor alheia como se você não tivesse coração. É como se eu fosse um ser terrível aproveitando do momento para ter uma fotografia de um ritual social.

É difícil encarar os olhares de outras pessoas que, ignorando o fato de eu trabalhar em um jornal e ser pautado para essa cobertura, julgam toda a minha atitude. Cada barulho do clique de uma câmera parece soar desrespeitador demais.

Então eu resolvo participar do ritual. Canto, rezo. Seja lá o canto que for. Seja lá a crença que eles tiverem. Ao participar de um momento como esse, entro na sintonia com suas dores.
A tristeza e o sentimento de perda é tanto que, instintivamente, projeto isso em pessoas queridas que eu tenho e que não quero nunca me despedir.
Coloco-me no lugar deles. Demonstro que meu desejo é o mesmo. Tento dizer com minha atitude que não quero e não vou ofender ninguém.

Então, quando me sinto parte daquilo, eu resolvo fotografar. Nessa hora não me importo mais se alguém se sentir desrespeitado ou não. É que nesse momento, faço parte daquela dor, durante aqueles minutos e de uma forma infinitamente menor.

Depois dos uns poucos cliques, eu saiu do lugar e torço para que se alguém me percebeu, me julgou. Que me entenda, me desculpe e me esqueça.

Por Diorgenes Pandini


Ver todas as notícias